Uma reforma precisa, pensada a partir da vida que acontece dentro de casa

Fabiana Henrique • 31 de março de 2026

No apartamento de 183 m², assinado por Jucimara Duarte, a transformação foi completa: infraestrutura refeita, espaços redesenhados e soluções que respondem a desejos muito particulares da família, com marcenaria sob medida e mobiliário solto selecionado na ContTi Home Design.

Há reformas que começam pela estética e outras que começam pela escuta. Neste apartamento de 183 m 2, a arquiteta Jucimara Duarte partiu da vida concreta dos moradores para conduzir a primeira grande transformação do imóvel, depois de 18 anos de uso. A intervenção foi total, com revisão de infraestrutura, troca de pisos, nova marcenaria, marmoraria sob medida e reconfiguração dos ambientes. O objetivo era claro: criar uma casa de linguagem mais contida, confortável e coerente com a rotina da família, sem excessos e sem soluções que existissem apenas para serem vistas.



A planta foi reorganizada para tornar os espaços mais conectados e, ao mesmo tempo, mais capazes de acolher necessidades muito específicas. A área social reúne cozinha com ilha, living com jantar, estar e sala de TV, além da sacada com churrasqueira. Na parte íntima, um corredor com biblioteca e rouparia conduz à suíte master, com banheira e um closet exclusivo para a moradora, e às suítes dos filhos. Entre os pedidos do casal, estavam ainda uma adega integrada à cozinha, escolha que desloca o ritual do vinho para o centro da convivência doméstica, e a criação de um espaço de trabalho na sacada, com TV, pensado especialmente para o proprietário.


Segundo Jucimara, o projeto foi construído com atenção ao modo como cada ambiente seria efetivamente usado. “A prioridade foi conectar todos os espaços, respeitando as necessidades e as particularidades de cada um. “Buscamos desenhar uma casa funcional, acolhedora e muito alinhada à rotina da família, com soluções sob medida e escolhas que dessem unidade ao conjunto”, afirma a arquiteta.


Essa unidade aparece tanto na arquitetura quanto na base material do projeto. Madeira, pedras naturais, tecidos com texturas variadas, MDF amadeirado e liso, além de plantas naturais, compõem uma atmosfera equilibrada e silenciosa. A paleta aposta em tons neutros, com inserções pontuais na cor verde em algumas paredes da sala, recurso que introduz profundidade ao ambiente sem romper a serenidade do conjunto. A iluminação, trabalhada com luzes indiretas no mobiliário e nas luminárias, reforça essa idéia de uma casa que se transforma ao longo do dia e que encontra no controle da luz parte importante de seu conforto.


O mobiliário solto, selecionado na ContTi Home Design, acompanha essa direção com peças de desenho limpo e presença precisa. Na cozinha, a banqueta Grão, de Rejane Carvalho Leite, participa da composição de um ambiente pensado para permanência e uso contínuo. No living, onde a integração exige equilíbrio entre escalas, materiais e funções, o sofá Âmago estabelece a base da sala principal, enquanto a mesa de centro Tangueto, de Ibanez Razzera, a poltrona Drummond, de Maurício Bomfim, e o aparador Tamanduá, de Rejane Carvalho Leite, ajudam a estruturar a cena. Na área de jantar, a mesa Fungi, de Natasha Schlobach, se articula com as cadeiras Grão, de Rejane Carvalho Leite, e com a cadeira Cora, de Ricardo Vidigal. Completam a composição o sofá retrátil Lapa, da Effe Design, a mesa de apoio Taffi e a mesa de centro Couture, de Maurício Bomfim.


Na suíte principal, o projeto mantém o mesmo rigor de síntese. O banco Baru, de Ricardo Vidigal, a mesa de cabeceira Ellise, do Estúdio Ranbasei, e a cadeira Stella, do Studio Jhovini, entram como escolhas pontuais, suficientes para construir um ambiente de descanso sem ruído visual. Na varanda, a proposta amplia a vocação do apartamento para o convívio, com a mesa Arena, da Razzera Design, as cadeiras Amalfi, de Marta Manente, e a namoradeira Lagoon, do Estúdio M., que consolidam o espaço como extensão natural da área interna.

Mas é em um dos quartos dos filhos que o projeto revela sua camada mais sensível. Um dos meninos, portador de TEA, tinha dificuldade para dormir sozinho, e o ambiente passou a concentrar uma atenção especial durante a reforma. O dormitório foi transformado em suíte e recebeu uma identidade própria, pensada para favorecer vínculo, autonomia e pertencimento. Entre os elementos incorporados ao espaço estão quadros produzidos por ele mesmo, emoldurados e instalados nas paredes, gesto que ajuda a consolidar o quarto como território de reconhecimento. “Esse foi o maior desafio do projeto e também a parte mais emocionante. Conseguimos criar para ele um espaço singular, onde ele se sente bem. Hoje ele dorme sozinho e está muito feliz com o próprio quarto”, explica a arquiteta.


Ao fim, o projeto deixa claro que uma reforma bem resolvida nem sempre se define pelo que exibe, mas pelo que consegue organizar. Aqui, a transformação do apartamento passa menos pela ideia de renovação formal e mais pela capacidade de tornar a casa mais justa para quem vive nela. Cada escolha, da redistribuição da planta ao desenho do mobiliário, parece responder à mesma pergunta: como fazer do espaço um aliado real da vida cotidiana.


Texto:
Casa de la Gracia Comunica

Fotos: Lucas Zandonai 



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